O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a proibir a maconha, em 1830. A criminalização do pito do pango afetou especialmente a população negra e escravizada, que mantinha forte e ancestral relação cultural com o uso da maconha. Não por acaso, a proibição do consumo de maconha veio junto da repressão a outras expressões da cultura africana na sociedade brasileira, como o candomblé e a capoeira.

A Letra da Lei.. (IMAGEM)

O racismo também influenciou fortemente a proibição de outras substâncias ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, associava-se o uso de ópio aos imigrantes chineses, a cocaína à população negra e a maconha aos trabalhadores mexicanos. Em vários países, a proibição dessas drogas foi usada para legitimar a repressão e a criminalização de parcelas da população considerada ‘inferiores’ ou ‘inimigas’. No Brasil, também havia estigma, uma visão negativa sobre o ópio, tido como a droga dos cafetões e das prostitutas.

Segundo a ativista estadunidense Deborah Small, “racismo é uma série de políticas e práticas desenvolvida por um grupo de pessoas para ser imposta a outro grupo de pessoas cujo resultado é a morte prematura. Eu acho que ninguém pode discordar que quando falamos de práticas e políticas raciais, seja nos EUA, ou no Brasil, e em como elas são aplicadas aos negros, o resultado é a morte prematura, no que se refere à política de saúde, justiça criminal e até nas políticas de emprego, porque os negros ainda estão sendo obrigados a trabalhar até morrer”.

Nos dias de hoje, o racismo, que sempre foi estruturante na sociedade brasileira, se reflete especialmente nos números de jovens negros mortos de forma violenta associada à questão das drogas, seja em decorrência de operações policiais ou outros confrontos armados ou ainda na prevalência desse grupo social entre a massa de presidiários e usuários em situação de rua no país. O recorte de raça e classe é predominante. A implementação das atuais políticas de drogas no país é marcada por graves violações de direitos humanos, em evidente estratégia de controle de grupos sociais e criminalização da pobreza.

Morte de Alan de Souza Lima: https://www.youtube.com/watch?v=Mm5E0zuZemE

PMs forjam troca de tiro e ‘plantam’ arma: https://www.youtube.com/watch?v=UD9rAueNFr

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