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Por que as drogas são proibidas?

A história mostra que a humanidade sempre procurou e usou drogas - substâncias que alteram consciência, humor e comportamento. Os primeiros registros de uso da planta de maconha, por exemplo, têm mais de 10 mil anos e foram encontrados na China. Ao longo da maior parte da vida humana na Terra, essas substâncias (disponíveis na natureza em plantas, cogumelos etc.) foram usadas na forma de chás, extratos, cigarros e álcool (fermentado ou destilado a partir de plantas e especiarias) como remédios para o corpo e a alma, contribuindo para a evolução da sociedade.

Esse tipo de substância também era usado em busca de prazer. As pessoas compartilhavam uma cultura de uso dessas plantas de poder baseada em conhecimentos tradicionais que foram sendo acumulados muito antes de existirem as farmácias e as indústrias que produzem e lucram com a venda de remédios sintéticos.

Assim como o domínio humano sobre o cultivo e consumo de plantas produtoras de alimentos (como trigo, soja, milho, arroz etc), de combustível e fibras para tecido (como o cânhamo e o algodão), a relação das pessoas com as substâncias medicinais e de consciência foi igualmente importante para viabilizar a forte expansão social e desenvolvimento tecnológico dos últimos séculos. Steve Jobs, por exemplo, declara que as drogas foram de grande importância no desenvolvimento de novas tecnologias e produção de conhecimento.

A civilização não teria chegado até aqui sem conhecer e usar drogas e substâncias que funcionam como medicamento e /ou alteram humor e consciência.

Os problemas com drogas começaram de fato no século 19, quando algumas plantas e substâncias passaram a ser proibidas pelos governos. Os usuários dessas drogas começaram a ser tratados como criminosos. A proibição de (algumas) drogas foi motivada principalmente por questões econômicas e de controle social. Ao mesmo tempo em que lucros e monopólios foram garantidos para algumas indústrias (de remédios e de álcool, por exemplo), a proibição serviu e ainda serve como uma forma de controlar grupos sociais específicos, como negros, latinos e indígenas. Historicamente, estes grupos tinham suas próprias culturas de consumo dessas drogas e foram criminalizados por isso, apesar de sempre ter havido consumo de drogas em todas as classes e grupos sociais.

A proibição de algumas drogas nunca teve como real motivo proteger a saúde das pessoas. As engrenagens por trás dessa lógica são interesses econômicos de mercado e práticas racistas.

Desde seu início, o objetivo declarado da proibição é acabar com as drogas que foram tornadas ilegais em algum momento. Trata-se de algo impossível porque as pessoas sempre usaram, usam e vão continuar usando drogas.

Assim, mesmo fracassando em seu ‘’objetivo central' de reduzir o consumo de drogas, que continuou aumentando ou se manteve estável na maior parte do mundo, a proibição funciona para sustentar um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, encarceramento em massa, venda de armas, racismo e controle social.

Nos últimos 50 anos, a proibição das drogas se transformou em uma guerra sangrenta que mata e encarcera milhões de pessoas envolvidas na produção, transporte, mercado e consumo de drogas ilegais. Nessa conta de mortos e feridos que cresce a cada dia, entram ainda agentes da lei como policiais, juízes e promotores e, principalmente, moradores de áreas que estão na rota ou no varejo de drogas ilícitas.

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