• Nossas ideias

     

     

    O Movimentos nasce da necessidade de nos fazer ouvir no debate sobre política de drogas. No Brasil, a ferramenta dos governos para lidar com as drogas ilícitas é a guerra, que tem na favela seu palco principal. Por isso nós, jovens de várias favelas e periferias do Brasil, defendemos que uma nova política de drogas para as nossas cidades e para o nosso país é urgente.

     

    A guerra às drogas afeta diretamente o nosso dia-a-dia. Para nós, significa escolas fechadas, mudança na rotina, medo de sair de casa, preocupação extrema com o nosso bem-estar e o da nossa família. Em nome dessa guerra, o Estado justifica uma série de violações de direitos contra nós, jovens de favelas e periferias.

     

    Mas essa guerra não é nossa. Não fomos nós que declaramos a guerra às drogas. Não fomos nós que decidimos que algumas drogas seriam consideradas legais e outras, ilegais. Mas somos nós que morremos por conta dela.

     

    O fracasso da guerra às drogas já é reconhecido por vários políticos, por parte da sociedade, por acadêmicos e ativistas no Brasil e no mundo. O consumo de drogas não diminuiu, o comércio ilegal não acabou. Ao contrário, a guerra às drogas trouxe mais violência, corrupção e desigualdade do que se poderia imaginar. Por conta dela, temos perdido a potência de uma geração de jovens - em sua maioria, negros - que, assassinados ou presos, acabam virando estatística.

     

    Só que, nesse debate, a voz da favela continua sendo excluída. Falam sobre nós, e em nosso nome, mas quase nunca ouvem o que nós temos a dizer.

     

    E nós temos muito a dizer.

      

    Acreditamos que não é possível construir alternativas sem discutir os impactos da guerra às drogas nas nossas vidas e sem pensar em soluções que nos incluam e nos deem oportunidades para superar décadas de políticas fracassadas.

     

    Somos o Movimentos. E estamos só começando.

     

  • Nossos princípios

    Aquilo em que acreditamos.

    1

    Precisamos falar do impacto da guerra às drogas no nosso cotidiano.

    No contexto da guerra às drogas, é a favela que fica com a parte da “guerra”. Apesar de acreditarmos que a política de drogas é uma questão de saúde pública, o Estado só lida com esse tema nas favelas a partir de políticas repressivas e violentas. Precisamos debater nossos problemas e trazer a discussão sobre política de drogas para o nosso círculo familiar, profissional, de amizades.

    2

    Precisamos pensar alternativas à guerra às drogas a partir da perspectiva das favelas e periferias.

    Não podemos mais ser excluídos desse debate. A mudança já está em curso. Por isso mesmo, precisamos pensar em uma transformação que nos inclua, em vez de nos excluir.

    3

    A juventude tem que ser protagonista desse processo.

    Estamos morrendo. Estamos perdendo amigos e oportunidades. Queremos viver livre de estigmas, queremos pertencer à cidade por completo, queremos ter acesso a serviços e à cidadania. Por isso, precisamos estar à frente dessa discussão.

    4

    Precisamos fortalecer as estratégias de redução de danos e saúde mental nas favelas.

    A guerra contra as drogas também afeta a saúde física e mental das pessoas que vivem nesses territórios e por isso devem ser uma prioridade.

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