• Mulheres, insegurança e a organização do cotidiano

    na Região Metropolitana do Rio de Janeiro

    Uma pesquisa da Movimentos que denuncia que o medo

    não pode mais organizar as rotinas das mulheres

  • A CIDADE NÃO PODE SER UM PRIVILÉGIO DE QUEM CONSEGUE ATRAVESSÁ-LA SEM MEDO

    Calculamos a roupa mais adequada para enfrentar o transporte lotado, fazemos caminhos mais longos para evitar ruas escuras, compartilhamos nossa localização com amigas e familiares, e apertamos as contas do mês para garantir que a volta de um evento à noite não seja a pé ou de ônibus. Também temos medo de perder nossos bens num assalto, mas tememos ainda mais perder a vida ou ter os nossos corpos violados pelo caminho.

    Mesmo assim, o debate sobre segurança pública quase nunca reconhece as mulheres como sujeitas políticas: não estamos nos espaços de decisão, nossas experiências não são vistas como caminhos possíveis e nossos medos não recebem a urgência que exigem.

    O que temos notado é que a violência de gênero costuma ser tratada como uma pauta à parte, como se os riscos que corremos ao circular pela cidade não fossem responsabilidade pública. Mas a verdade é que eles são, e precisam entrar na conta dos desenhos das políticas de segurança pública.

    Esta pesquisa nasce dessas inquietações. Ouvimos mulheres da Região Metropolitana do Rio de Janeiro sobre como a gestão pública e as estratégias de segurança atravessam suas rotinas. Queremos tornar visíveis os cálculos que fazemos todos os dias e afirmar que o conhecimento de quem sente os riscos na pele precisa entrar na conta das políticas de segurança pública. Aprendemos a nos proteger sozinhas porque a responsabilidade de sobreviver sempre recaiu sobre nós. Mas não deveria ser assim.

    Os cálculos infinitos que fazemos nos ensinam a lidar com os riscos, mas não garantem a nossa segurança.

    Enquanto a segurança pública for reduzida à via da repressão policial ou relegada à mercê de soluções privadas e mercantilizadas, o direito de ir e vir continuará sendo um privilégio de poucos, e a cidade, um território permanente de restrição, cálculo e medo para a maioria esmagadora das mulheres.

  • “A gente nunca tá relaxada por estar no Rio de Janeiro e por sermos mulheres.”

    Vanessa, entrevistada do Grupo 2 da pesquisa

    Defendemos que uma cidade viva só existe a partir da garantia dos direitos

    de todas as pessoas, sobretudo daquelas que sempre estiveram em risco.

  • METODOLOGIA

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    O projeto

    O Rotina Calculada foi idealizado pela Movimentos como uma campanha de comunicação digital. Seu objetivo era disseminar novas narrativas sobre segurança pública, com inspiração e apoio do trabalho do Instituto Fogo Cruzado e do Instituto Update. Diante da necessidade de produzir mais dados e evidências em torno de uma agenda em comum, a atual pesquisa se tornou inevitável.

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    A pesquisa

    A pesquisa tem caráter qualitativo e foi realizada por meio de grupos focais com mulheres da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ao longo de agosto de 2026.

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    Os objetivos

    Tornar visíveis os cálculos que as mulheres fazem para sobreviver à cidade; b) mostrar que, no mesmo espaço, homens e mulheres acessam riscos e encaram medos diferentes, e que isso também é uma questão segurança pública; c) contribuir para uma agenda coletiva em que uma cidade viva seja uma cidade segura para todas.

  • Realização: Movimentos

    APOIO

    Instituto Fogo Cruzado

    Instituto Update

    CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO

    Aristênio Gomes

    Isabelly Damasceno

    DESENHO METODOLÓGICO,

    MEDIAÇÃO E ANÁLISE

    Shamira Rossi

    RECRUTAMENTO DOS GRUPOS

    Pedro Bahia

    IDENTIDADE VISUAL

    E DIAGRAMAÇÃO

    Gaby Pereira

    EQUIPE MOVIMENTOS

    Direção: André Galdino, Aristênio

    Gomes e Karina Donaria

    Comunicação: Isabelly Damasceno

    e Gaby Pereira

    Arte e Cultura: Ricardo Fernandes

    e Sabrina Martina

    Incidência política: Natan Hermínio